Rádio AM

O rádio AM surgiu com as primeiras transmissões de rádio no mundo feitas pelo padre italiano Gugliemo Marconi, embora no Brasil o também padre gaúcho Roberto Landell de Moura seja considerado o inventor do rádio fazendo demonstrações públicas na cidade de Alto de Santana, bairro de São Paulo e sendo noticiado o fato em jornais como O Estado de São Paulo e Jornal do Commércio entre 1899 e 1900, seu feito acabou caindo no esquecimento, sendo a invenção do rádio atribuída a Marconi.

Em 1923 começa a operar oficialmente a primeira emissora a transmitir em ondas hertizianas no Brasil, foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro fundada pelo antropólogo Edgard Roquette Pinto, mais tarde a emissora foi doada ao Ministério da Educação e Cultura e está no ar até hoje como Rádio MEC. Extraoficialmente a Rádio Clube de Pernambuco foi a primeira emissora do Brasil, inaugurada em 1919, ela também existe até hoje e faz parte do grupo Diários Associados.
Em São Paulo a Rádio Educadora Paulista, hoje Gazeta AM, foi a pioneira na terra da garoa. Em comum todas elas colocavam no ar programas elitizados e educativos, pois quem ouvia e mantinha essas rádios eram pessoas das classes mais altas através do sistema de rádio clube ou rádio sociedade.

Na década de 1930 a propaganda foi regulamentada pelo governo federal da época, permitindo que empresas anunciassem seus produtos para milhares de pessoas, assim as rádios puderam ganhar dinheiro em cima da veiculação de comerciais deixando de lado o modelo de rádio clube.
Em 12 de setembro de 1936 surge a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a maior rádio do país entre os anos 1930 e 1950, na época transmitindo em 980 KHz, conquistando audiência em nível nacional com seus rádio-teatros, rádio-novelas, programas de auditório, musicais, dentre outros gêneros. Muitos programas da Rádio Nacional foram refeitos na televisão.

Surge no dia 1º de dezembro de 1944 a Rádio Globo do Rio de Janeiro, fundada pelo jornalista Roberto Marinho também dono do jornal O Globo, sua programação assim como a de outras emissoras tinha musicais, rádio-teatro, programas de auditório, mas ela se destacava pelo espaço aberto ao jornalismo, esse diferencial tinha como carro chefe o noticiario O Globo No Ar um dos mais antigos do rádio brasileiro.

A partir dos anos 1950 com a chegada da televisão no Brasil temeu se o desaparecimento do rádio, o que não aconteceu, mas o veículo foi obrigado a mudar o seu formato, passando dos auditórios e rádio-novelas para os programas de variedades com a presença de comunicadores, radialistas de voz marcante e um jeito muito popular de comandar a sua atração, o jornalismo e o esporte ganharam mais destaque na programação das rádios formando um tripe base para a conquista de ouvintes.

Antes que o rádio FM dominasse, o AM foi durante a década de 1960 um celeiro da música jovem da época, rádios como Excelsior e Difusora em São Paulo e a Mundial do Rio de Janeiro, lançaram sucessos musicais que viraram mania entre os adolescentes.

Nos anos 1970 rádios como Bandeirantes e Jovem Pan (Panamericana), investem no jornalismo e no esporte como base de suas respectivas programações. A Rádio Excelsior de São Paulo também migra da música para as notícias.

Durante os anos 1980 o rádio AM sofre com a concorrência do FM, mas ele ainda se mantém vivo graças aos seus fiéis ouvintes.

Em 1991 surge a primeira rede de rádios 'só notícia' no Brasil, a CBN (Central Brasileira de Notícias) das Organizações Globo, ela foi a pioneira em São Paulo a transmitir a mesma programação do AM no FM em 90.5 MHz, frequência que antes abrigava a Rádio X FM.
Hoje o AM embora não tenha mais o prestígio que tinha nos anos 1960, tem uma quantidade considerável de ouvintes, algumas emissoras chegam a ter audiência de FM ultrapassando a margem dos 100.000 por minuto. Em 7 de Junho de 2013, foi aprovado pela então presidente, Dilma Rousseff, assinou cinco meses depois, no dia do Radialista (7 de novembro), o decreto de migração das rádios AM para a frequência FM, podendo assim melhorarem a qualidade de sintonia e som, além de se tornarem mais competitivas aumentando audiência e faturamento, a troca de frequência por enquanto será facultativa, nas cidades onde o dial FM tradicional (87.5 a 107.9 MHz) for muito cheio será usada a frequência dos canais 5 e 6 VHF (76 a 87 MHz).

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