Como surgiu a Televisão no Brasil

As transmissões de Televisão no Brasil começaram oficialmente numa segunda-feira, 18 de setembro de 1950, só que o novo veículo de comunicação já mostrava a que veio 12 anos antes, em 1938, numa Feira Internacional realizada no Rio de Janeiro onde hoje está localizado o Aeroporto Santos Dumont.

A empresa alemã Telefunken montou no meio da feira, um circuito interno de televisão com um tablado com raio de trinta metros, dentro dela havia seis receptores, a “programação” era composta por apresentações de cantores, locutores e humoristas, inclusive artistas internacionais participaram como Josephine Baker.

Era praticamente um consenso que a Televisão no Brasil iria chegar aos domicílios já no início da década de 1940, só que em setembro de 1939, o começo da Segunda Guerra Mundial acabou atrasando a entrada do novo meio de comunicação.

O primeiro contato de Assis Chateaubriand com a Televisão se deu no ano de 1944 mais especificamente no mês de julho, numa de suas viagens aos Estados Unidos. Na cidade de Nova Iorque foi recebido pelo Presidente da RCA Victor e conhecido pelo apelido de “Mago da NBC”, David Sarnoff. Foi exibida ali uma demonstração da TV em circuito fechado para Chatô, que maravilhado com o engenho, decidiu esperar o fim da Segunda Guerra para importar as ferramentas necessárias para a montagem da primeira emissora brasileira.

Embora Sarnoff aceitasse o pedido de encomenda da estação de televisão, ele acreditava que o rádio no Brasil ainda tinha muito a dar e foi um entusiasta da formação de uma rede nacional de rádio, que de tão poderosa, o seu sinal chegaria a países vizinhos na América Latina, vendeu a ideia que por sua vez estava mais empolgado com a janela eletrônica.

A segunda iniciativa de Chateaubriand foi reunir um grupo de empresários que dessem apoio financeiro, para a compra dos equipamentos, em troca as empresas teriam suas marcas expostas na televisão. Companhia Antártica, Moinho Santista, Sul América Seguros, Organização F. Pignatari e Prata Wolff foram as patrocinadoras desse ousado projeto dos Diários Associados.
Correndo por fora alguns outros grupos já com experiência no meio radiofônico, tentaram se aventurar no espaço televisivo que iria se abrir em breve.

A Rádio Nacional do Rio de Janeiro fez teste no novo veículo, através de uma empresa francesa que ofereceu a emissora estatal os equipamentos. Transmitindo do auditório da rádio, os programas foram vistos por televisores espalhados por alguns pontos da cidade carioca, a futura emissora já tinha até nome “Nacional TV”, todo esse movimento tinha apenas um objetivo, não perder o mercado publicitário.

Segundo Paulo Tapajos, a concorrência com Chatô que tinha a meta de ser o pioneiro da TV no Brasil, ajudou o projeto da Rádio Nacional a naufragar, pois a concessão para o canal era pedida ao governo, mas não era dada, o dono da cadeia Associada tinha influência nisso, pois ele sabia que a Nacional tinha um elenco estrelar, muito melhor que o da Rádio Tupi, provavelmente, a Nacional TV seria a emissora mais vista e a Tupi seria a segunda colocada.

Mas não era apenas no Rio de Janeiro que havia movimentos para implantação da televisão, encabeçada por Celso Guimarães Arantes Nogueira, Dr. Nestor da Rocha Bressane Filho e Luiz Fonseca de Souza Meirelles, contando capital de Cr$ 30.000.000,00 e mais 27 acionistas, uma iniciativa começava a tomar força em São Paulo, esses 3 senhores pretendiam montar a TV Paulista, sob o nome jurídico de Rádio-Televisão Paulista S.A., num anúncio publicado no jornal O Estado de São Paulo, no dia 1º de maio de 1949, havia o convite para os interessados em investir na “maravilhosa criação do espírito humano da nova era” prometendo “lucros seguros” como já acontecia na radiodifusão e no cinema, para eles aquele aparecia ser o ano da televisão. Havia a promessa por parte dos fundadores de montar a maior e mais completa estação de ‘rádio-televisão’ do mundo.

Voltando aos domínios dos Diários Associados, em um artigo publicado no jornal Folha da Manhã, edição do dia 21 de julho de 1949, o autor faz duras criticas ao meio Televisão e aqueles que estavam se empenhando de alguma maneira na montagem de uma emissora, não contente zomba dos mesmos dando o adjetivo de “Televisionários”.

Segundo Carlos Rizzini, dirigente dos Associados, até nos Estados Unidos, o veículo ainda era uma incógnita aquela altura, cita o caso da rede NBC que vendia o espaço publicitário no intervalo de seus programas a preços altíssimos, e mesmo assim perdia a quantia de Cr$ 150.000,00 diariamente. Afirmou categoricamente “A televisão é positivamente o pior negócio do mundo” e emenda “Seriamos os últimos loucos do Brasil se pretendêssemos introduzir a televisão no país com capitais particulares ou com a contribuição popular”.

Irônico no mínimo, pois naqueles dias os equipamentos encomendados a RCA Victor já estavam em processo de montagem, mas a declaração de Rizzini tem um ‘porque’, o medo que os Associados tinham de não serem os pioneiros.

Em outro artigo, dessa vez publicado no jornal Diário de São Paulo (pertencente a cadeia de jornais dos Associados espalhados por esse imenso Brasil), no 1º de janeiro de 1950, há a surpreendente revelação por parte do grupo, de que foram encomendadas duas estações de televisão, uma em nome da Rádio Tupi do Rio de Janeiro e outra para a Rádio Tupi de São Paulo e elas duas são únicas emissoras existente no país até então.

No mesmo texto, provoca as outras organizações que arrecadavam fundos para montar uma televisão, chamando estas de ‘Siderúrgicas da Televisão’, pois as tais prometiam emissoras com 20 a 50 kilowatts na antena e raio de alcance do transmissor de mais de 75 quilômetros, para o autor estas organizações queriam apenas vender títulos e juntar dinheiro. Ao que consta isso não está tão errado, porque não se sabe até agora se um dos grupos realmente conseguiu o objetivo de montar uma emissora.

Parte do texto "Pela Primeira Vez a Televisão", trabalho de pesquisa apresentado no Congresso Metodista 2013 no dia 24 de outubro.

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