domingo, 10 de julho de 2016

Rede Globo retratou últimos momentos de Getúlio Vargas em 1993

Há quase 21 anos, a Rede Globo deu destaque ao suicídio do Presidente Getúlio Vargas através da dramaturgia, adaptando o clássico Agosto do escritor Rubem Fonseca, lançado no ano de 1990, em forma de minissérie de 16 capítulos.

Logotipo da minissérie

Na TV a história se inicia com o assassinato do empresário Paulo Gomes de Aguiar, causada por negócios suspeitos que envolvem sua empresa de importação e exportação. Alberto Mattos, comissário de polícia, começa a investigar o caso, sua postura honesta não bem vista pelos companheiros de trabalho. Em seguida acontece um atentado contra Carlos Lacerda, jornalista de oposição à Vargas, executado pelo guarda costas pessoal do presidente, Gregório Fortunato que consegue uma licença de importação da empresa de Paulo Aguiar através de ligações suspeitas, Mattos começa a desconfiar que Gregório seja responsável pela morte do empresário.

  Fonte: Acervo Folha de São Paulo
Exibida entre 24 de agosto e 17 de setembro de 1993, reprisada em 1995 pela própria Globo e em 2011 pelo Canal Viva, a trama adaptada por Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, procurou reconstituir fielmente os anos 1950 para isso buscou em São Paulo e Rio de Janeiro quatro mil peças da época e 40 carros que circularam entre os anos 1930 e 1950, também usou a computação gráfica para restaurar no vídeo a fachada do Palácio do Catete tirando as pichações e uma maquete para reconstituir o já inexistente Palácio Monroe. À época indo ao ar às 22h30 na exibição do primeiro capítulo atingiu 31 pontos de audiência, segundo o jornal Folha de São Paulo, do dia 26 de agosto de 1993, isso equivalia a mais de 1 milhão e 200 mil domicílios vendo a produção na Grande SP.

Carlos Bernardo e Tony Tornado em cena na minissérie Agosto
Fonte: Memória Globo

A versão televisionada de Agosto gerou polêmicas, alguns getulistas acharam exagerado o destaque a Gregório Fortunato em detrimento de Getúlio que aparecia em flashs. Em entrevista a Folha de São Paulo, do dia 16 de agosto de 1993, o coronel Hilário Fittipaldi que encontrou dias antes do suicídio um bilhete de Vargas que serviria de rascunho para a carta-testamento, foi o personagem de uma passagem do livro onde teria escrito o bilhete e assinado em nome de Getúlio, o que segundo o coronel era uma mentira, Rubem Fonseca se defendeu três dias depois no mesmo jornal dizendo que usou como referência o livro "Getúlio Vargas, a Revolução Inacabada", escrito pelo filho do presidente, Lutero Vargas. Um dos autores do atentado ao jornalista Carlos Lacerda, Alcino João Nascimento, entrou na justiça para impedir a exibição da minissérie, a liminar foi revogada, pois se constatou que o roteiro narrava os fatos sem qualquer distorção.

Atuaram na produção os atores José Mayer, Carlos Vereza, Tony Tornado, José Wilker, Vera Fischer, Letícia Sabatella, Milton Gonçalves, Mário Lago, Lúcia Veríssimo, entre outros. Dirigida pelo ator Paulo José junto a Denise Saraceni e José Henrique Fonseca.

Relembre a abertura de Agosto

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