terça-feira, 19 de julho de 2016

A Grande Família: Um lar unido e ouriçado




Anúncio publicado no jornal o Estado de São Paulo em 12 de julho de 1973

Na quinta-feira, dia 11 de setembro, terminou um dos seriados de humor mais longevos da televisão brasileira, A Grande Família, para muitos telespectadores o fim da produção é - com o perdão do trocadilho - uma tragédia. Foram 14 temporadas, seu sucesso foi maior que a primeira versão.

Mundo Mágico, o show que inaugurou a Rede Manchete




Nessa andanças pelo YouTube acabamos achando cada coisa... sem querer querendo encontro um dos momentos mais preciosos da Televisão Brasileira.


Anuncio publicado no jornal O Estado de São Paulo em 1983

Rede Manchete já teve sua Além do Horizonte

A Globo exibiu até o dia 2 de maio de 2014 a novela Além do Horizonte, trama do horário das 19h, mas você sabia que a extinta Rede Manchete já teve uma produção com mesmo nome? A única coincidência entre os dois folhetins era o horário em que ia ao ar.

domingo, 10 de julho de 2016

Arakém, O Showman

Um tipo franzino, baixinho e desengonçado, conquistou o telespectador que acompanhava a televisão nos anos 1980, ele tentava a todo custo aparecer na telinha correndo atrás de um alto executivo de uma emissora. Esse era Arakém, o Showman, personagem interpretado pelo documentarista e publicitário José Antônio de Barros Freire, o Barrinhos.






Arakém na campanha "Entre no Ar, Entre no pique da Globo"


Arakém surgiu no ano de 1984, com o objetivo de divulgar a linha de show da Rede Globo sob o slogan: "Entre no ar, entre no Pique da Globo", sempre na tentativa de ter sua chance na TV, para isso perseguia o Big Boss Tony e procurava mostrar suas habilidades, mas o "chefinho" mandava o personagem voltar no ano que vem, porém arrancava suspiros e risadas da sua linda e loira assistente. Os coadjuvantes era interpretados respectivamente por Sérgio Toni e Evelyn Derkian. Vários eram os cenários e os figurinos que Arakém aparecia, no aeroporto, no meio do mar, num restaurante mexicano, vestido de dançarina de hula-hula, arriscando os passos do Michael Jackson, marinheiro, mariachi, entre outros. O mascote da programação agradou tanto o público que apareceu de novo no fim do ano desejando boas festas.

 
Arakém vestido de havaiana
Mas isso ainda era pouco para Arakém, sua participação mais memorável foi no ano de 1986 durante a Copa do Mundo do México, dessa vez ele levantava a torcida da Brasil durante o Mundial da FIFA embalado pelo tema Mexe Coração, da Aerobanda. Arakém de Showman virou o Gol Man e sempre zombava dos adversários que a seleção enfrentava ao lado de belas torcedoras, quase sempre terminando os vídeos com os versinhos: "Nessa Copa do Mundo nem vem que não tem/Vai dar Brasil meu Bem/Com Arakém o Gol Man!". As vinhetas eram exibidas após os jogos e chegavam a subir a audiência.


Arakém torcendo pelo Brasil

O personagem foi uma invenção do publicitário Alexandre Machado, à época redator da agência interna da Globo, a escolha de Barrinhos para dar vida a Arakém foi de Mimito Gomes diretor da produtora Manduri que produziu os filmes. Alexandre conta à revista Veja do dia 28 de novembro de 1984, que Barros Freire foi o tipo ideal escolhido: "Eu me espantei quando vi o primeiro filme pronto, pois o Barrinhos é o Arakém que eu tinha imaginado em carne e osso". Barrinhos caiu no gosto do telespectador, como consequência do sucesso logo foi assediado, surgiram propostas para aparecer em comerciais como Arakém, mas a Globo logo fez questão de assinar um contrato de exclusividade durante 8 meses. Na Copa do México, as camisas que tinham um desenho da bandeira do Brasil, que o personagem vestia foram um fenômeno de vendagem.


Arakém ainda seria visto na Rede Manchete, durante as transmissões das olimpíadas de Seul, no ano de 1988.


Barrinhos Freire (Fonte: ego.globo.com)
José Antônio de Barros Freire, atualmente com 60 anos, é dono de produtora especializada em documentários.Veja os vídeos e relembre o Arakém:

 As primeiras aparições de Arakém divulgando a programação 1984 da Globo


Copa do Mundo de 1986

Esse vídeo seria exibido na Globo caso o Brasil tivesse vencido a França nas quartas de final

Arakém na Rede Manchete, durante as olimpíadas de Seul

Os Aviõezinhos do Silvio Santos

Umas das marcas do apresentador Silvio Santos dentre tantas que ele tem, são os seus aviõezinhos de dinheiro distribuídos todos os domingos em seu programa. A prática se popularizou no quadro "Topa Tudo por Dinheiro", onde ele jogava os aviõezinhos feitos de papel-moeda para as suas colegas de trabalho. Isso rendeu polêmica numa determinada época, telespectadores mandavam cartas ao SBT reclamando que o dinheiro era amassado, tornando-se um desrespeito conta a moeda, inclusive o Banco Central pensou em processar o animador por causa dos aviões. Silvio Santos se defendeu sobre o assunto durante o seu programa e mandou um recado aos reclamões em 1994. Veja o vídeo:



Seu Assis, o "engenheiro" criador da frota de aviõezinhos
Agora de quem foi a ideia de dobrar dinheiro em forma de avião? Essa ideia só poderia sair da cabeça do próprio Silvio claro! Porém quem faz todos eles é Seu Assis que trabalha há 48 anos ao lado do patrão e começou na TV como porteira da extinta Rede Tupi, onde chegou ao cargo de operador de som, depois se mudando para a recém-inaugurada Rede Globo, para por fim trabalhar junto ao animador de auditório, no vídeo abaixo ele conta em entrevista ao SBT na WEB como confecciona os aviões.


O Amarelinho do SBT

Nos anos 1990 o esporte tinha muito espaço dentro da programação do SBT, eventos como as Copas do Mundo, Copa do Brasil, Torneio Rio São Paulo, Fórmula Indy, Fórmula Mundial e Olimpíadas foram transmitidos. A equipe responsável pelas transmissões contava também com o boneco Amarelinho, uma simpática bolinha com pernas, braços e um boné que aparecia sempre quando seleção ou algum esportista brasileiro entrava em campo.


O Famoso Amarelinho e quase SBTão

O mascote obra do departamento de criação visual da emissora foi uma ideia de Ângelo Ribeiro conhecido pelo apelido de "Macarrão" e surgiu pela primeira vez durante a Copa da Itália em 1990, o desenho do Amarelinho ficou sobre a responsabilidade do ilustrador Iastake Fassimoto.

O primeiro desenho do Amarelinho
   
Os pais da "criança", ou melhor, do personagem
O personagem era um torcedor fanático do Brasil, no jogos de futebol em que a Seleção Brasileira participava ele pulava de alegria num gol, ficava com raiva quando o juiz não marcava pênalti a nosso favor e suspirava de alivio quando a bola do adversário não entrava na nossa rede.

Dar movimentos ao mascote não era coisa simples, o primeiro passo era fazer um rascunho desses movimentos, se fossem aprovados eram passados a limpo, depois uma câmera captava a imagem do desenho e mandava para um computador dando vida ao mascote, após a cena ser criada ela era gravada numa fita e inserida num momento oportuno.

Além de aparecer nas transmissões o Amarelinho dava as caras em vinhetas especiais, clipes com jingles e até em anúncios de jornais como esse que você vê aqui embaixo, sobre as eliminatórias da Copa do Mundo 1994:

Anúncio publicado no jornal Folha de São Paulo em 23 de julho de 1993

O bonequinho caiu no gosto do público, principalmente das crianças que faziam desenhos do personagem. Ele acabou ganhando outros parceiros formando a Família Amarelinho.


Os membros da Família Amarelinho
Por pouco, muito pouco que o mascote ganhou o nome de SBTão, os funcionários não se acostumavam com o nome em homenagem à emissora, sempre que iam colocá-lo no ar falavam: "Me dá a fita do boneco Amarelinho pra botar no ar... me passa a fita do Amarelinho" e o apelido pegou.
A última vez que o Amarelinho apareceu foi na Copa da França em 1998, por coincidência a última Copa do Mundo transmitida pelo SBT, ainda hoje o simpático boneco é lembrado pelos telespectadores.

Relembre o Amarelinho em ação:

Aqui o Amarelinho na final da Copa do Mundo de 1994

Chaves já ganhou da Copa do Mundo na audiência

Chaves vai ter mais espaço mais espaço na programação do SBT com início da Copa do Mundo no próximo dia 12, a emissora pretende tirar a reprise do humorístico "Meu Cunhado", dentro do Quem Não Viu Vai Ver, até aí nada demais, porém você sabia que o inoxidável Chaves já derrotou a Copa do Mundo no Ibope?

Roberto Gómez Bolaños interpretando Chaves
Isso aconteceu em 1990, quando o mundial estava sendo disputado na Itália, mas antes da gente chegar lá, vamos saber um pouco mais sobre o seriado.

Chaves é uma criação de Roberto Gómez Bolaños, famoso redator e ator mexicano, os programas que escreveu para o Rádio e TV de seu país alcançaram muitas vezes a liderança em audiência e o carinho do público. Em 1972, Bolaños cria uma esquete para o programa Chespirito - apelido do redator, diminutivo de Shakespeare, dado o talento dele para escrever -, onde o protagonista era um menino órfão e pobre que morava num barril e convivia com outras pessoas num cortiço, esse garoto era El Chavo Del Ocho, Chavo é menino na gíria do México, o Ocho (oito) era uma referência ao canal 8 mexicano onde o programa de Chespirito era exibido.

Em 1984, o SBT em três anos de existência já completados estreia o Chavo Del Ocho, segundo conta a história no dia 24 de agosto, dando a ele o nome de Chaves, dentro do TV Pow! um programa de games por telefone que era exibido à tarde. Nesse período ele era exibido às segundas, quartas e sextas, revezando com o Chapolin que ia ao ar às terças, quintas e sábados.


Abertura de 1993
O seriado assim como as novelas mexicanas exibidas até hoje pela emissora de Silvio Santos, chegaram na Vila Guilherme - bairro da Grande São Paulo, onde o canal manteve seus estúdios durante 15 anos -, por meio do jornalista Augusto Mazargão, brasileiro e criador do Festival Internacional da Canção nos anos 1960 que começou na TV Rio e foi posteriormente para a Rede Globo. Ele durante anos exerceu cargo executivo dentro da Televisa, em 1982 chegou até Silvio oferecendo a novela Os Ricos Também Choram de 1979, o primeiro folhetim importado exibido no Brasil, também por intermédio dele o SBT adquiriu Chaves e Chapolin.

Chegamos a junho de 1990, nessa época o menino da vila tinha espaço na programação do canal 4 paulista e era reprisado na hora do almoço. No dia 20 acontecia a partida Brasil X Escócia, válida pela Copa do Mundo e disputada no Estádio Delle Alpi localizado em Turim na Itália, quatro emissoras brasileiras estavam fazendo a cobertura do evento Globo, Manchete, Band e inclusive o SBT.

Confira como estava a Programação da Globo e do SBT naquele dia à tarde:
SBT
11h00 - Mariane
13h00 - Chaves
13h30 - Show Maravilha
15h30 - SBT Itália 90
16h00 - Copa 90: Brasil X Escócia
18h00 - Chaves

Globo
08h20 - Xou da Xuxa
13h00 - Jornal Hoje
13h25 - Vale a Pena Ver de Novo: Roda de Fogo
14h25 - Copa 90
15h05 - Bolão do Faustão
16h00 - Copa 90: Brasil X Escócia

Nesse dia Chaves estava programado para entrar na grade da emissora à 13h, no mesmo horário a Globo estava exibindo o Jornal Hoje e dedicando o noticiário ao jogo que iria acontecer as 16h, exibindo o Boletim da Copa, segundo o Jornal do Brasil do dia 21 de junho à 13h20 o Ibope registra na Grande São Paulo nada mais, nada menos do que 36 pontos de audiência para Chaves contra 30 pontos do telejornal global, essa é até onde se sabe a maior audiência alcançada pelo seriado.
O menino pobre e atrapalhado depois dessa vitória, ainda deu muito trabalho para a concorrência, mas será que hoje ele conseguiria derrotar a Copa outra vez?

Relembre a abertura do Chaves



Uma das primeiras aberturas feitas pelo SBT

Rede Globo retratou últimos momentos de Getúlio Vargas em 1993

Há quase 21 anos, a Rede Globo deu destaque ao suicídio do Presidente Getúlio Vargas através da dramaturgia, adaptando o clássico Agosto do escritor Rubem Fonseca, lançado no ano de 1990, em forma de minissérie de 16 capítulos.

Logotipo da minissérie

Na TV a história se inicia com o assassinato do empresário Paulo Gomes de Aguiar, causada por negócios suspeitos que envolvem sua empresa de importação e exportação. Alberto Mattos, comissário de polícia, começa a investigar o caso, sua postura honesta não bem vista pelos companheiros de trabalho. Em seguida acontece um atentado contra Carlos Lacerda, jornalista de oposição à Vargas, executado pelo guarda costas pessoal do presidente, Gregório Fortunato que consegue uma licença de importação da empresa de Paulo Aguiar através de ligações suspeitas, Mattos começa a desconfiar que Gregório seja responsável pela morte do empresário.

  Fonte: Acervo Folha de São Paulo
Exibida entre 24 de agosto e 17 de setembro de 1993, reprisada em 1995 pela própria Globo e em 2011 pelo Canal Viva, a trama adaptada por Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, procurou reconstituir fielmente os anos 1950 para isso buscou em São Paulo e Rio de Janeiro quatro mil peças da época e 40 carros que circularam entre os anos 1930 e 1950, também usou a computação gráfica para restaurar no vídeo a fachada do Palácio do Catete tirando as pichações e uma maquete para reconstituir o já inexistente Palácio Monroe. À época indo ao ar às 22h30 na exibição do primeiro capítulo atingiu 31 pontos de audiência, segundo o jornal Folha de São Paulo, do dia 26 de agosto de 1993, isso equivalia a mais de 1 milhão e 200 mil domicílios vendo a produção na Grande SP.

Carlos Bernardo e Tony Tornado em cena na minissérie Agosto
Fonte: Memória Globo

A versão televisionada de Agosto gerou polêmicas, alguns getulistas acharam exagerado o destaque a Gregório Fortunato em detrimento de Getúlio que aparecia em flashs. Em entrevista a Folha de São Paulo, do dia 16 de agosto de 1993, o coronel Hilário Fittipaldi que encontrou dias antes do suicídio um bilhete de Vargas que serviria de rascunho para a carta-testamento, foi o personagem de uma passagem do livro onde teria escrito o bilhete e assinado em nome de Getúlio, o que segundo o coronel era uma mentira, Rubem Fonseca se defendeu três dias depois no mesmo jornal dizendo que usou como referência o livro "Getúlio Vargas, a Revolução Inacabada", escrito pelo filho do presidente, Lutero Vargas. Um dos autores do atentado ao jornalista Carlos Lacerda, Alcino João Nascimento, entrou na justiça para impedir a exibição da minissérie, a liminar foi revogada, pois se constatou que o roteiro narrava os fatos sem qualquer distorção.

Atuaram na produção os atores José Mayer, Carlos Vereza, Tony Tornado, José Wilker, Vera Fischer, Letícia Sabatella, Milton Gonçalves, Mário Lago, Lúcia Veríssimo, entre outros. Dirigida pelo ator Paulo José junto a Denise Saraceni e José Henrique Fonseca.

Relembre a abertura de Agosto